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Blog do jornalista Washington Araújo

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Leia aqui os comentários sobre temas do dia a dia. Jornalismo, direitos humanos, opinião. E também literatura. Um espaço para vocalizar anseios de populações vulneráveis: índios, afrodescendentes, mulheres, meninos de rua. Finalmente um blog que trata da diversidade humana e da cidadania mundial...


O preconceito no Brasil é mais direcionado aos:

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Para ler o bom, uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos.
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Um sonho, um mundo: Lin Maioko dubla Yang Peiyi

18/08/08

Lin Maioko dubla Chen Qigang I 1Estava sem fala ao ver a monumental abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim. Também quem descobriu o papel, a pólvora e a pipa (apenas para ficarmos na letra “p”) não podia esperar outra coisa. As imagens lembravam do japonês Akira Kurosawa. A plasticidade era algo de encher olhos, coração e mente. Era difícil encontrar o que agradou mais: (a) os dez mil percusionistas, (b) os chineses sorridentes saindo de milhares que pequenas caixas após várias coreografias, (c) as tais ciquenta e sete etnias representadas por crianças a caráter (depois saberíamos que as crianças eram quase todas da etnia majoritária na China, a Han), (d) as pegadas dignas do Abominável Homem das Neves iluminando o trajeto noturno que separa a praça da Paz Celestial ao Ninho de Pássaro, (e) o chinês circunspecto, cabelos grisalhos flutuando no Ninho de Pássaro, amparado por cabos, para acender a Pira Olimpica, (e) os rostos de centenas de criancas sorridentes a mostrar a beleza da diversidade humana ou… (e) a pequena menina chinesa, delicado vestido vermelho, sorridente a entoar a canção “Ode à Pátria”?

Não pensei duas vezes porque o coração tomava a mente de assalto e logo tomava partido pela menina. Ela ali e mais de um bilhão de telespectadores na China e mundo afora, estavam focados naquel mágico momento. É sempre comovente ver uma criança cantar. Mas aquela cantava em uma língua pouco familiar à nossa audição ocidental. E cantava sorrindo ao tempo em que emudecia tão formidável platéia em tão monumental ambiente olimpico. Mas após os primeiros dias recebi o choque de realidade: o diretor musical da cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, Chen Qigang, revelou que a menina Lin Miaoke, de 9 anos, que entoou a canção Ode à Pátria durante o evento apenas fez o playback na sua apresentação. A verdadeira cantora era Yang Peiyi, de 7 anos, que foi vetada para aparecer por ser menos atraente fisicamente. “Queríamos dar uma imagem perfeita e pensamos que seria melhor para a nação”, declarou Chen Qigang em entrevista a uma TV chinesa.Nos dias seguintes à Abertura da Olimpíada, meios de comunicação chineses aclamaram Lin Miaoke como uma estrela em ascensão no país, mas não falaram nada da verdadeira cantora, uma menina com os dentes desordenados, mas uma grande voz.

Os organizadores admitiram também que para a transmissão televisiva da Cerimônia de Abertura foram inseridas imagens de fogos artificiais gravadas de antemão e posteriormente editadas. Caí no mundo real onde o próprio dístico “One Dream, One World” ficava relegado ao armário das mais belas e inspiradoras intenções humanas. Aliás, “Um sonho, um mundo” nada mais é que uma versão reduzida da afirmação de Bahá´u´lláh (1817-1892) de que “a Terra é um só páis e os seres humanos seus cidadãos”.

Tanto uma quanto outra expressam de maneira plena e feliz o anseio de 6.000.000.000 de habitantes de nosso ora pequeno Planeta Azul.

Atendendo a pedidos, voltei

18/08/08

VolteiAos que estavam com saudades, voltei. Aos que não tiveram tempo de sentir saudades… tanto melhor, ainda assim, voltei. Aos que nem perceberam que havia dado um tempo no Cidadão do Mundo, eis-me aqui. Nestes quase três meses de ausência da blogosfera construí uma tese sobre A Hora da Estrela, livro de Clarice Lispector e filme de Suzana Amaral para tentar obter o grau de mestre em cinema. No período vi-me tentado, uma e muitas vezes, a colocar percepções, devaneios e reflexões sobre ontem, hoje e amanhã nesse espaço virtual. Deixei passar uma série de coisas bacanas que aconteceram de maio a meados de agosto e bravamente resisti a esse hábito de viver olhando o monitor e mandando ver no teclado do que, propriamente, viver. Se não atentarmos, logo não saberemos mais o que é um contato humano, visual, pessoal, especial. Nos tornaremos meros simulacros de automatos a preferir mil vezes mais um contato virtual que um pessoal. Uma mensagem eletrônica valendo mais que uma descontraído bate-papo ao final do dia (e porque não ao amanhecer de um dia?) Chega de conversa mole pra boi dormir, queria mesmo era dizer que voltei com todo o gás, uma gás não poluente, 100% humano, vital, espiritual. E espero que essa energia continue sendo o combustível para esse suave regresso.

Cresce tremendamente escalada de violência contra os bahá´ís no Irã

15/05/08

7membros115 de maio de 2008 (BWNS) - Seis líderes bahá’ís no Irã foram detidos e levados à famigerada prisão de Evin, ontem, numa remoção ominosamente semelhante aos episódios ocorridos em 1980, quando grande número de líderes bahá’ís iranianos foram capturados de modo semelhante e mortos. Os seis homens e mulheres, todos membros do grupo de âmbito nacional que ajudavam a prover as necessidades mínimas dos bahá’ís do Irã, encontravam-se em suas casas ontem, quarta feira, quando agentes da inteligência do governo invadiram suas casas. Os agentes levaram até cinco horas vasculhando cada casa antes de levá-los. O Sétimo membro do grupo nacional de coordenação foi aprisionado no início de março em Mashhad depois de ser convocado pelo escritório do Ministério da Inteligência daquela cidade por causa de um assunto evidentemente trivial. “Nós protestamos nos termos mais enérgicos contra a prisão dos nossos companheiros bahá’ís do Irã”, disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas. “Seu único crime é serem praticantes da Fé Bahá’í.” “Especialmente perturbador é o modo como essa última remoção lembra a prisão indiscriminada dos membros de dois conselhos administrativos nacionais Bahá’ís no início dos anos 80 - o que levou ao desaparecimento ou execução de 17 indivíduos”, disse ela.

“As invasões, no início da manhã, às casas desses bahá’ís proeminentes estavam bem coordenadas, e está claro que representam grandes esforços de novamente atingir os bahá’ís e intimidar livremente a comunidade Bahá’í iraniana”, disse a Sra. Dugal. Os aprisionados ontem foram: Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, Sr. Saeid Rezaie, Sr.Behrouz Tavakkoli e Sr. Vahid Tizfahm. Todos vivem em Teerã. A Sra. Kamalabadi, o Sr. Khanjani e o Sr. Tavakkoli foram anteriormente presos e libertados depois de períodos que variaram de 10 dias até quatro meses. Em Mashhad, no dia 5 de março de 2008, foi presa a Sra. Mahvash Sabet, que também reside em Teerã. A Sra. Sabet foi convocada a Mashhad pelo Ministério da Inteligência, aparentemente com o motivo de responder a perguntas relacionadas ao sepultamento de um indivíduo no cemitério Bahá’í daquela cidade.

Em 21 de agosto de 1980, todos os membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Irã foram raptados e desapareceram sem deixar vestígio. Certamente foram mortos. A Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Irã foi reconstituída logo em seguida, mas novamente foi assolada pela execução de oito de seus membros em 27 de dezembro de 1981. Vários dos membros de conselhos administrativos Bahá’ís de âmbito local, conhecidos como Assembléias Espirituais locais, também foram detidos e executados no início dos anos 1980, antes que um protesto internacional forçasse o governo a deter a execução de Bahá’ís.

Desde 1979, mais de 200 bahá’ís foram mortos ou executados no Irã, embora nenhum tenha sido executado desde 1998.

Em 1983, o governo declarou ilegal todas as instituições administrativas formais Bahá’ís. Assim, a comunidade Bahá’í iraniana respondeu desmanchando sua Assembléia Espiritual Nacional, que é um conselho administrativo eleito, juntamente com cerca de 400 conselhos administrativos eleitos de âmbito local. Os bahá’ís em todo o Irã suspenderam também quase todas as suas atividades organizacionais regulares. O grupo coordenador informal de âmbito nacional, conhecido como os Amigos, foi estabelecido com o conhecimento do governo para auxiliar a prover as diversas necessidades da comunidade Bahá’í iraniana de 300.000 membros, que é a maior minoria religiosa do país.

Para ver as fotos e outros aspectos clique aqui: http://news.bahai.org

Quem são os novos atores na cena mundial?

28/04/08

Novos atores mundiaisUm observador imparcial da situação do mundo observa um movimento, muitas vezes silencioso, que demonstra a mudança de atores históricos no redesenhar das relações internacionais. Em séculos passados os 3 principais protagonistas eram a nobreza, o clero e o terceiro Estado simbolizado pela expressão de Antigo Regime pela história moderna. Hoje, em 2008, mudaram-se esses atores. Em primeiro lugar, temos os megablocos econômicos, como o da Unificação Européia, o Nafta (reunindo os Estados Unidos, Canadá e o México), o Mercosul (reunindo o Brasil, Argentina, Uruguai Paraguai e mais alguns países sul-americanos). Em segundo, temos uma avalanche de empresas multinacionais de características globais que atuam no mercado financeiro e os grandes conglomerados da mídia e em terceiro, mas não de menor importância, encontramos as organizações não-governamentais de ação planetária como o Greenpeace, a Anistia Internacional, o Fundo Mundial para a Natureza, o Human Rights Watch, dentre outros. Nesse contexto algumas palavras perderam significado. Palavras como Estado, Poder, Soberania, Democracia, Direito, Fronteiras. É novo o mundo em que vivemos. Os atores são outros. Mas o bem maior a ser protegido continua o mesmo: o bem-estar e o progresso de toda a humanidade.

Ver notícias é exercício cansativo quando não tedioso mesmo

19/04/08

T dio no notici rio televisivoExistem assessores para tudo. Um assessor para ajudar na hora do imposto de renda, um para ajudar nosso condicionamento físico, o tal “personal training”, um consultor de moda, aquele que fala que gravata combina com tal camisa no caso dos homens e a que diz qual vestido é melhor para essa ou aquela ocasião social.  É o tempo passando e novas profissões surgindo. Outras vão desaparecendo por completo. É o caso, por exemplo, das escolas de datilografia. Quem se lembra que houve um tempo em que sem diploma de datilografia conseguir um emprego em escritório era praticamente impossível? Pois bem, acho que já passa da hora de se criar um assessor de notícias, uma pessoa que leia e depois nos resuma as notícias em seus pontos principais: quem fez o que? Onde? Quando fez? Porque fez? Quais as conseqüências dessa ou daquela ação? É que recebemos ondas e ondas de notícias, muitas delas, apenas pela metade, outras tocando a verdade, os fatos de maneira muito superficial e até tendenciosa. Há uma pasteurização no noticiário: tudo se repete à exaustão, com esse ou aquele toque no adjetivo, quando não no substantivo utilizado. Até as imagens parecem feitas pelos mesmos profissionais. Se não cansativo, pelo menos tedioso se torna a opção para assistir aos noticiários na televisão. Algumas delas ficam repetindo a cada 10, 15 minutos o que acabava de ser noticiado. O argumento é que alguém “pode ter ligado na emissora naquele justo momento!” E, para piorar ainda mais a situação nosso dia continua tendo as mesmas 24 horas de sempre e isso desde que o mundo foi criado… em 7 dias!

Serviço Social Obrigatório faz mais sentido…

17/04/08

Servi o Social Obrigat rioUm ouvinte/leitor de Recife me escreve. João Paulo quer saber minha opinião sobre o serviço militar obrigatório. Pois bem, assim como sei que sou brasileiro, nordestino como você, dali de Natal, desde que me entendo por gente sei que o serviço militar obrigatório no Brasil é algo imutável, está bem enraizado em nossa memória, em nosso sistema de valores. Embora não seja especialista no assunto, como, aliás, não sou especialista em nenhum assunto, mas apenas um cidadão comum, entendo que deveria existir um sistema de serviço social obrigatório, podendo até ser concentrado com as instâncias militares. Os jovens com 18 anos poderiam fazer parte de grandes legiões de alfabetizadores, levando a leitura e a escrita ao Brasil profundo, a essas cidades à margem dos grandes centros urbanos. Esses jovens poderiam ajudar na vacinação infantil. E poderiam educar a população sobre o combate eficiente do mosquito da dengue. O Brasil é um país de história marcada pela paz, quando falamos em guerras, o Brasil tem que buscar livros de história, ver séculos passados. Se ao menos 50% dos jovens alistados no serviço militar fossem canalizados para o serviço social obrigatório a qualidade de vida das populações carentes melhoraria substancialmente.

Imprensa no Brasil, 100 anos: tempo de polir o espelho!

16/04/08

Imprensa no Brasil  100 anosEste ano, 100 da imprensa brasileira. Bom momento para se fazer um balanço sobre a atividade jornalística no país. Alguns pontos são praticamente unânimes. A imprensa mais séria sempre foi comprometida com os ideais da liberdade, da democracia, do estado do direito. Profissionais talentosos souberam lidar com sensibilidade a massa de informação a que tinham acesso. Grandes mudanças na vida cultural, política, econômica e mesmo no comportamento dos brasileiros foram amplamente tratados nos meios de comunicação. Mas não há como tapar o sol com a peneira. Muitas injustiças foram cometidas contra inocentes, muitas reputações e biografias foram simplesmente trituradas, destruídas e isso sem qualquer fundamentação. É quando a imprensa traz para si o direito de incriminar, julgar e linchar. Como qualquer outra atividade, os que fazem jornalismo não são mais nem menos que seres humanos, pessoas ditas comuns, como nós, eu e você ouvinte. E, portanto somos presas fáceis do erro, do pré-julgamento, instrumentos de injustiça. Esses 100 anos de imprensa verde amarela nos faz pensar que além de ser celebrada como o 4º. Poder nas democracias modernas, a imprensa deve ser vista como um espelho dotado de visão e fala. Ou seja, a busca da verdade, a busca do outro lado da notícia, a sinceridade na apuração das notícias ainda são os grandes pilares de um jornalismo saudável. Ter direito a informações confiáveis é uma gravíssima questão de direito.

Inflação age como vírus que enferma sempre os mais pobres

16/04/08

Infla  o   brasileiraO medo da inflação volta a surgir aqui e ali. Está nas mesas dos governantes e está nas salas de visitas dos que vêem televisão à noite. Os comentaristas econômicos, com muita propriedade, tratam do assunto em seus momentos no rádio. Vivemos em um bom tempo sem saber o que é inflação descontrolada e muitos dos jovens talvez nem saibam o que seus pais e avós sofreram no Brasil quando a inflação ultrapassava em um só mês a marca tenebrosa dos 84%¨. E isso não faz tanto tempo assim, foi em meados dos anos de 1980. Imagine que você comprava um quilo de carne por R$ 6,00 em um mês e já no mês seguinte o mesmo quilo de carne saía por mais de R$ 11. Obviamente que a inflação infelicitava muito mais as classes mais pobres, aqueles sem qualquer reserva ou poupança para enfrentar dias muito difíceis. Lutar para que a inflação esteja sob controle, como um carro deve estar sob controle em uma estrada, é uma questão de direito que não podemos descuidar.

Conversando com Azambuja

15/04/08

Conversando com AzambujaConversava essa semana com o Azambuja, não aquele personagem do bom Chico Anysio. O Azambuja tem 56 anos de idade, trabalha em uma autarquia pública. Conversa vai, conversa vem, ele me falava com certa nostalgia dos tempos em que ensinava Educação Moral e Cívica em um colégio militar do Rio de Janeiro. Eu lembro que tive essas aulas no antigo curso ginásio e sou bem mais novo que o Azambuja. Aprendíamos coisas interessantes, além do Hino Nacional Brasileiro, além das datas nacionais e o porquê de elas serem feriados. É uma pena que tal disciplina ficou marcada, e penso que para sempre, com a marca da ditadura militar no país. Afinal, tirando alguns excessos, preciosismos diria, a aula de Educação Moral e Cívica nos falava de brasileiros como Tiradentes, aquele herói enlouquecido pela liberdade, de poetas consagrados à luta contra a escravidão no Brasil, como Castro Alves, nos falava de cientistas como Oswaldo Cruz e de inventores como Santos-Dumont, o do 14-Bis. Quando vejo esse desmatamento todo, a poluição de nossos mares e rios, não sei por que penso que deixamos de entender o significado da palavra Pátria. Aquele lugar onde caminhamos pela primeira vez e a terra que nos tem dado abrigo e alimento. É impressionante como certas palavras, determinadas expressões carregam o pesado fardo de toda uma época!

Pedofilia é assunto de CPI no Congresso Nacional

14/04/08

pedofilia.Uma comissão parlamentar de inquérito está funcionando no Congresso Nacional, mas parece que passa batida na grande mídia. É que se trata de uma CPI suprapartidária, ou seja, que interessa, envolve todos os partidos políticos. Não é a velha cantilena governo versus oposição. Falo da CPI contra a Pedofilia. O Brasil não dispõe de instrumentos jurídicos, legais, que possam, de maneira  eficaz, proibir os que produzem e os que lucram com a pedofilia.  Caros leitores, o assunto é de máxima seriedade, existem fortunas girando em torno do comércio de fotos e de vídeos de crianças em situações de sexo. Existem crimes que são um atentado à natureza humana, ao que de mais sagrado existe no ser humano. A penalização para crimes dessa espécie deveriam ser os mais rigorosos previstos em nossa legislação penal. É a degradação e prostituição de legiões de inocentes, com seus 5, 7, 11 anos de idade tendo seus corpos e mentes violados por criminosos sem qualquer senso de humanidade, de moral, de ética e por aí vai. A chegada da Internet potencializou, aumentou - e muito! -  a circulação de material pornográfico envolvendo crianças. Apoiar essa CPI é uma questão de direito inadiável. Com certeza, milhares de crianças que deixaram de ser violentadas saberão, no futuro, agradecer por não termos deixado que seu futuro fosse roubado. Enquanto isso, campanhas do tipo “Disque Pedofilia” precisam ser ampliadas e os meliantes receberem o braço forte da Lei tão logo fossem flagrados ou condenados após o devido processo legal. De impunidade estamos cheios. O que não estamos cheios é de um senso maior de justiça, de amor a nossos semelhantes. Infelizmente.

Comentando temas políticos

13/04/08

Pol tica comentadaHá três anos e meio que ocupo esse espaço de comentarista na Rádio Nacional. Aos que não sabem, a maioria dos comentários que faço diariamente na Rádio Nacional (rio e Brasília) depois são postados neste blog. Durante todo esse período me esquivei de tomar partido em qualquer situação com cheiro de política partidária. Há muito que entendo que sempre há outro lado, sempre temos outros ângulos para se noticiar essa ou aquela notícia. No fundo, do ponto de vista de cada um, há sempre certo percentual de verdade. Deixo aos comentaristas políticos a tarefa que lhes é posta. Para o nosso “Questão de direito” o que vale mesmo é o que possa criar um sentimento maior de humanidade, uma perspectiva de futuro mais justo para a atual e as gerações futuras. Como me escreveu uma ouvinte de Tocantins, aqui no Questão de Direito não é a doença que deve contagiar. Ao contrário, é a saúde que deve e pode contagiar. A unidade dos povos, nações e credos é algo inadiável. Disso dependerá o progresso da humanidade.

Isabela Nardoni, 5 anos… e a banalização do mal

12/04/08

Isabela Nardoni  5 anosA morte da menina Isabela Nardoni (foto), de 5 anos, continua desafiando a consciência moral e espiritual de toda a população. Isabela morreu na noite do dia 29 de março ao cair do sexto andar do prédio onde morava na cidade de São Paulo. O pai, Alexandre Nardoni está preso, a madrasta também. A polícia vira e mexe volta à cena do crime. E ninguém parece ser o autor do ato monstruoso. Mas o que fica em nossas retinas é a foto sorridente da pequena Isabela estampada em revistas e jornais, transmitida em todos os telejornais diariamente. A queda mortal de Isabela foi também uma um golpe fatal em nosso senso de humanidade. Viver se torna cada vez mais uma aventura muito perigosa. A banalização da morte anestesia nossos melhores sentimentos. Mas existe toda essa indignação que não quer calar. Com a queda de Isabela do 9º. andar do seu edifício caímos todos nós na vala comum que é a banalização do mal.

No Rio já são 75.399 vítimas da Dengue e 12 mortes nessa semana

10/04/08

Dengue no Rio e suas milhares de v timasUm novo balanço divulgado na noite do dia 9 de abril pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro dava conta que já são 75.399 as vítimas da dengue em todo o Estado. O número de mortos já chega a 79, com um aumento de 12 mortes em relação à semana passada. Só na capital são 46 mortes. Mas ainda existem 80 casos de falecimento sob investigação. O governo do Estado decidiu realizar uma série de sobrevôos para localizar vazadouros de lixo clandestinos e, junto com a Companhia Urbana de Lixo, a Comlurb, irá retirar carcaças de veículos abandonados. Várias escolas cariocas estão fazendo atividades com seus alunos para prevenir à dengue. São campanhas de distribuição de folhetos explicativos e coleta de recipientes onde o mosquito Aedes egypti pode se proliferar. Enquanto isso vemos com espanto o alastramento da Dengue para outras regiões do país. Ainda não se inventou nenhum bem mais valioso que a manutenção da vida humana. Saúde pública é uma questão de direitos. De todos.

A crise na UNB, uma das “boas” universidades brasileiras

9/04/08

UNB 2008 a crise chegouA situação da Universidade de Brasília, a UNB, torna-se insustentável. Mais que assunto acadêmico, ali o assunto é de natureza policial. Verbas para a saúde dos nossos nobres povos indígenas terminaram sendo usados para coisas supérfluas, triviais, como compra de árvores de Natal, viagens de turismo dessa ou daquela autoridade acadêmica. Pesquisas acadêmicas deixaram de ser feitas para que imóveis de luxo fossem mobiliados, decorados. Inquéritos foram instaurados. Alunos tomaram o prédio da reitoria. A cada dia, uma nova denúncia. Como dizia Tânia Montoro, doutora em jornalismo, “os tempos do obscurantismo voltaram com toda a força”. E pensar que essa Universidade foi talvez o maior legado deixado pelo saudoso antropólogo Darcy Ribeiro! Estou prestes a terminar um mestrado na UNB e me sinto constrangido ao ver que professores idôneos, mestres capazes, funcionários exemplares, cumpridores de seus deveres devem estar com o gosto amargo de ver uma instituição tão importante quanto a UNB tenha virado caso de polícia. Existem momentos em que um basta precisa ser dito, em alto e bom tom.

Conflitos parecem surgir do nada… mas tudo começa em nossas mentes

6/04/08

Guerras nao surgem do nadaA insegurança global é algo que tende a aumentar haja vista os conflitos que, do nada, tomam proporções gigantescas, desafiando as instâncias do direito internacional. Infelizmente a força tem prevalecido sobre o direito dos povos e nações. E nessa espécie de “ocaso do direito”, observa-se a ação cada vez mais agressiva de grupos violentos que não hesitam em impor a sua lei, a lei da força. Isso acontece aqui em nossa vizinha Colômbia, com a onda de seqüestros promovida pelas FARCs e que, nas últimas semanas quase levou a uma guerra entre o Equador e a Colômbia, envolvendo ainda a Venezuela e a Nicarágua. No caso prevaleceu o bom senso e organismos regionais como a Organização dos Estados Americanos, a reunião do Grupo do Rio e as ações calculadas de várias chancelarias nacionais, à frente o Brasil e o Chile, terminaram sendo bem sucedidas e o espectro da guerra assim como surgiu, assim desapareceu do horizonte. A par disso, há décadas vemos com preocupação as ações do grupo terrorista basco, o ETA, na Espanha, o IRA, na Irlanda e um bom número de movimentos separatistas no leste europeu e em algumas nações asiáticas. Como pano de fundo temos a crise de identidade da ONU que passou a ocupar um papel de coadjuvante na manutenção da paz internacional após a invasão do Iraque. O momento é de refletir não sobre as conseqüências dos conflitos armados e sim sobre a necessidade de se construir as fortalezas de uma paz mundial permanente.

Na Unieuro de Brasília, os desafios do século XXI

5/04/08

Nessa semana fui apresentar a aula inaugural do novo campus de Brasília da Unieuro. Meu tema:Desafios mundiais “Desafios do século XXI”. Aproveito esse precioso espaço para abordar alguns dos tópicos apresentados àquelas centenas de alunos de diversos cursos superiores. Se no século XVI, o mundo testemunhou uma extensa ação de conquistas de novos territórios, descobriu o chamado Novo Mundo com a chegada de Colombo a São Salvador, em outubro de 1492, agora, mais de cinco século passados, voltamos a testemunhar uma nova onda de conquistas. Antes as potências européias, notadamente Portugal e Espanha, conquistavam territórios que depois seriam colônias, impérios, repúblicas e estados nacionais, como hoje os conhecemos. Agora, o mundo é conquistado por grandes conglomerados econômico-financeiros. São empresas multinacionais, transnacionais que trazem as bandeiras, invariavelmente de países fincados na União Européia, no Japão e nos Estados Unidos. A propósito, 50% dos mega grupos empresariais vêm dos Estados Unidos. O nome dessas conquistas que não são mais de territórios e sim de mercados, atende pelo nome de “globalização”. Aqui é onde mora o perigo, a lealdade maior está com os ganhos dos mercados. Não é demais prever uma grande privatização nos anos imediatamente à frente de tudo o que se refira à vida humana e aos ainda existentes recursos naturais dos países a serem conquistados. Fala nesse processo o tal rosto humano. Qual o papel destinado ao ser humano? Esta é a pergunta que vaga nos corações e mentes em busca de respostas. Respondê-la é uma questão de direito, uma questão de direito essencial.

Mídia pode servir ao estabelecimento da paz mundial

4/04/08

Midia e guerraO papel da mídia cresce e é perceptível a olho nu. Assim como em meados dos anos de 1960, o Vietnã chocou o mundo  com as sinistras imagens transmitidas pela TV de crianças correndo, nuas, nos vilarejos de Saigon e com os corpos ardendo, em chamas, com o mal-afamado agente laranja. Não podemos deixar de chamar a atenção que essas imagens foram decisivas para por um fim a uma guerra que exterminou milhares de jovens soldados. Só dos Estados Unidos, foram mais de 50.000 vítimas. Do Vietnã o número chega às centenas de milhares. Triste época em que a defesa das ideologias políticas eram mais importantes que a manutenção de vidas inocentes! Pois bem, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, formado por cinco países permanentes (China, EUA, França, Inglaterra e Rússia) e por 10 outros países não permanentes, há que se chamar a atenção para o entendimento corrente que a televisão de notícias CNN ocupa uma espécie de 11a. vaga dentre os países com assento não permanente. A verdade é que a imprensa, principalmente a televisa, ocupa um crescente protagonismo. É da mídia que a opinião pública se posiciona sobre esta ou aquela decisão do poderoso Conselho de Segurança da ONU. Democratizar o poder decisório dentro desse Conselho é cada vez mais, uma inadiável questão de direito.

Questões de raça, gênero… coisa ultrapassada, ora!

3/04/08

Questoes de GeneroHá algo de muito perigoso na transitória ordem mundial em que vivemos. Apenas um país foi alçado à condição de superpotência, os Estados Unidos. E exerce sua liderança nos campos político, econômico, militar, cultural e tecnológico. As atenções do mundo se voltam várias vezes ao dia para ver a quantas andam os processos de escolha dos candidatos à presidência norte-americana. Neste 2008, o cenário é no mínimo surpreendente. Pela primeira vez na história dessa nação do Norte, temos uma mulher, a primeira, a entrar na corrida pela presidência. Temos também o primeiro afro-descendente norte-americano, um negro, filho de pai nigeriano e de mãe americana, também lutando por uma vaga na corrida para ver quem será o chefe da superpotência. Parece roteiro de filme de ficção política. É como se concorresse na Alemanha um sobrevivendo do holocausto na 2a. Grande Guerra. Ou se concorresse no Brasil, um índio Xavante. Mas são sinais de que questões de raça e de gênero parece estar ficando em uma página da História preste a ser virada. Vale a percepção, ainda do século XIX, que os seres humanos devem ser vistos como as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as gotas de um mesmo mar, as estrelas de um único céu. Afinal, nada mais atrasado que os preconceitos de raça, de gênero, de credo religioso. Temos todos um destino comum a partilhar.

Por uma ética do capital… isso mesmo!

2/04/08

 tica do capitalPara os franceses o nome da globalização é mundialização. Para as massas da humanidade, em sua grande parte vivendo abaixo da linha da pobreza, o mundo vive na ante-sala do horror econômico. O capital que chega, se estabelece, consegue com os governos isenção de impostos para se instalarem, anistia fiscal por longos anos e empregam mão de obra com pouca qualificação a troco de salários vis. O cenário demonstra um processo, de certa forma irreversível, que não tem como ser diminuída sua velocidade, tem como meta se apropriar dos mercados e assim tomar posse das riquezas dos países. E tudo isso dentro dos chamados limites da legalidade. Qual país pobre poderia dispensar a vinda de capital estrangeiro que irá gerar em um primeiro momento um grande número de empregos com carteira assinada e tudo? A questão de direito está em saber quais as conseqüências dessas investidas multinacionais na economia do país-alvo. Qual o comprometimento desses capitais externos com a elevação das condições de vida da população pobre, sempre mais vulnerável? Algo para pensarmos. Antes que seja tarde demais.  

Perigos mundiais

1/04/08

Perigos mundiaisÉ uma questão de direito ter em conta que o mundo mudou muito nas últimas décadas. À parte o impressionante progresso das comunicações e dos artefatos tecnológicos, os avanços da ciência molecular, com a decifração do genoma humano, o crescimento do uso da nanotecnologia em escala sempre maior, ainda temos diante de nossa geração alguns perigos imediatos. Esses perigos terão conseqüências funestas se não forem enfrentados com firmeza e com sobriedade. Refiro-me à escalada do hiperterrorismo, que deixou de se circunscrever apenas à região do Oriente Médio, mais especificamente nas relações que envolvem Jerusalém, a Faixa de Gaza e seus arredores. O perigo do acesso de nações à tecnologia nuclear e que têm longa lista de anseios por novos territórios, o fortalecimento do crime organizado com o uso do narcotráfico em sua vanguarda, a corrupção que permeia a estrutura de poder nos governos de tantos países do planeta, o surgimento de pandemias, que vão desde a Aids ao vírus Ebola. O meio ambiente merece também atenção especial de todos nós. É a galopante o desflorestamento, a erosão dos solos em vasta extensão de nações, a desertificação, o empobrecimento da camada de ozônio, a poluição dos mares e dos rios. O desperdício da água, esse bem vital à vida dos seres humanos. E isso tudo em um momento em que o aquecimento do planeta parece ser irreversível. As conseqüências poderão estar muito além de nossas mais pessimistas expectativas. É tempo de ação sistemática por parte de governos e das sociedades civis como um todo. É o futuro do planeta que se encontra, como nunca antes, em nossas mãos.

Dengue não passa pela ponte Rio-Niterói… algo para pensar!

31/03/08

Dengue n o passa pela ponteO número de pessoas contaminadas pela dengue no município do Rio nos primeiros meses de 2008 ano já superou o registrado em todo o ano de 2007. E estamos há menos de 90 dias deste ano. O site da Secretaria Municipal de Saúde informou que 26.688 casos foram notificados em 13 semanas, ante 25.107 anotações em todo ano passado. O número de mortos pela doença subiu esta semana para 31. A dengue no Rio de Janeiro deveria ser objeto de tese de graduação ou de mestrado sobre saúde pública no Brasil. Como uma doença tão simplória como essa consegue causar tantas mortes e mais, em uma das cidades mais ricas do Brasil? É estarrecedor ver imagens na televisão e fotos nos jornais mostrando pessoas caídas nas entradas e mesmo nas calçadas de hospitais públicos do Rio de Janeiro porque simplesmente não existem leitos disponíveis. Algo de muito errado está acontecendo na capital carioca. Uma pergunta que não quer calar, se Niterói, separada por uma ponte de 14 km do Rio não se registrou nenhum caso de dengue, como conviver com a triste realidade de que a cada 24 horas são detectados cerca de 1.200 casos na zona norte do Rio, em especial, na Baixada Fluminense?

Apenas 1/6 dos alunos do ensino médio chegam à universidade

30/03/08

Poucos chegam a universidadeFontes do Ministério da Educação do Brasil, o MEC, dão conta que somente um sexto dos estudantes brasileiros no ensino médio deve chegar à universidade. A mesma fonte afirma que os alunos que não são inseridos no mercado de trabalho têm pouco interesse em permanecer na escola. O ponto é que um ano de escolaridade, no Brasil, pode significar um incremento de 15% na renda, o que é algo bastante atrativo para se evitar a evasão de alunos do ensino médio. Outros dados dão conta que entre meninas de 15 a 17 anos que deixaram os estudos, um terço são mães. É inegável que o ensino médio, atualmente, apesar de todas as fragilidades, está organizado para fazer a diferença para o jovem de baixa renda. E a lógica é linear: “Quem cursa o ensino médio tem exercício da cidadania superior a quem não o faz.” Foi o que afirmou recentemente o ministro da Educação, Fernando Haddad. Vale lembrar que em 2007, o MEC lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação, que estabelece metas para melhorar a qualidade do ensino no país. Planos como este somente terão sucesso se forem perseguidos com determinação, perseverança. Há que se manter o foco na melhoria do ensino médio pois há muito, muito que melhorar para que o Brasil alcance a posição de desenvolvimento intelectual que lhe é devido.

Guerra é outro nome para “fábrica de cemitérios”

29/03/08

Fabrica de cemit riosHá poucos dias se assinalou o 5o.aniversário da guerra no Iraque. Os primeiros combates aconteceram em 20 de março de 2003. Saddam Husayn foi deposto e enforcado. Vários países, capiteanados pelos Estados Unidos, enviaram contingentes de soldados para manter a ordem social e proteger os preciosos poços de petróleo. Mas, como toda guerra que se preze, as guerras nada mais são que fábricas de cemitério. De 2003 a 2008, morreram do lado ocidental, mais de 3.982 jovens soldados, homens e mulheres. Do lado Iraquiano, bem as baixas foram ainda mais pesadas. Estima-se em mais de 140.000 mortos, em sua maioria civis inocentes, vítimas de bombardeiros generalizados e da explosão de homens e mulheres-bomba. O custo dessa incursão militar no Iraque já se aproxima de 1 trilhão de dólares. É o que se escuta nos debates do Senado Americano. É uma triste percepção essa de que começamos o século XXI fazendo o exatamente o que infelicitou boa parte dos séculos passados, em especial os séculos XIX e o século XX, com suas duas extensas guerras mundiais, onde até cidades inteiras evaporaram no Japão ante o impacto das bombas atômicas. Depois da 2a. Guerra, surgiu de seus escombros, de sua terra arrasada, a Organização das Nações Unidas. Resta-nos perguntar: o que surgirá parta proteger a humanidades dos escombros dessas primeiras guerras que inauguraram o século XXI? Ou serão necessárias novas carnificinas de alcance ainda inimaginável?

Dor mundial… 1 bilhão de desempregados no mundo em 2008

27/03/08

desemprego no mundo emFalemos hoje da dor mundial. Fala-se muito do PIB mundial. Discorre-se em palestras acadêmicas dos avanços científicos. Propaga-se como fogo em um celeiro das comodidades dos modernos meios de comunicação, computadores e celulares de última geração, apenas para mencionar dois exemplos tão corriqueiros. Mas em meio a tudo isso porque não falarmos que nessa aparente situação de bem-estar planetário, existe uma imensa dor em todo o mundo? Peguemos os países mais ricos. Será que a riqueza desses encontra-se acessível a todos, todos os seus cidadãos. Vejamos a situação das desigualdades sociais: Se em 1960, 20% dos mais ricos tinham 30 vezes mais recursos que os 20% mais pobres do mundo, agora, em 2007, esses mesmos 20% mais ricos já dispõem de riquezas superiores a 82% de tudo o que possuem os 20% mais pobres do mundo. Ou seja, a desigualdade entre riqueza e pobreza cresceu de forma quase astronômica. Na Europa vivem hoje 18 milhões de seres humanos desempregados. No mundo, os desempregados já ultrapassam a casa do 1 bilhão. E estou citando apenas fontes oficiais da própria ONU, a Organização das Nações Unidas. Esta é a foto atual que retirei dos jornais e telejornais, do que escuto nos noticiários das rádios e encontro em documentos de instituições sérias que pesquisam a condição do mundo. Será possível dormir… com um barulho desses?

Orações soltas ao vento: o drama tibetano

26/03/08

Lhasa Tibete 1Fiquei preocupado com as últimas notícias recebidas do Tibete. Aos navegantes, o Tibete foi anexado à China em fins dos anos de 1950 e seu chefe de estado e líder espiritual, conhecido como o Dalai Lama, foi exilado em uma cidade da Índia, junto com cerca de 300 mil tibetanos. As cenas de violência foram chocantes. Haveria uma cena de violência que não seja chocante? O ser humano é princípio não é afeito a guerras, conflitos, carnificina. Se isso ocorre é que algo de muito mal está ocorrendo, como por exemplo, o ocaso do ideal maior da justiça. Existem resoluções da ONU, já bem antigas, dando razão aos tibetanos a terem de volta seu país, sua capital Lhasa com seus belos mosteiros budistas. Mas, passados mais de 60 anos, a realidade continua a mesma. O assunto volta à atenção mundial devido à proximidade das Olimpíadas de Pequim, nos próximos meses. E a tocha olímpica deverá correr mundo e dentro dessa corrida deverá passar pelo Tibete. A violência que estamos vendo, claro com muitas imagens censuradas, é apenas o início de um processo que não podemos antever seu fim. Para acabar com os conflitos de rua em Lhasa (foto), o Dalai Lama ameaçou renunciar à condição de chefe de estado do Tibete no exílio, ficando apenas como seu líder espiritual. Alguns mandatários ocidentais já falam em boicote às Olimpíadas em Pequim, outros já planejam levar o assunto às Nações Unidas. Mas muita água ainda vai correr pela ponte da História. Estejamos atentos.  

Estrangeiros: vingança com nome de reciprocidade

25/03/08

Deportados e ReciprocidadeNos últimos dias nossos olhos e ouvidos ficaram saturados de ver brasileiros sendo deportados da Espanha e espanhóis que chegavam em Salvador, na Bahia, sendo igualmente deportados. Usou-se o tal do princípio da reciprocidade. Existia algo mais arcaico nas relações internacionais que a reciprocidade levada a ferro e a fogo? Pois bem, enquanto países desenvolvidos estão fechando o cerco para imigrantes ilegais, programas para atração de profissionais com alta qualificação se consolidam sobretudo nos de língua inglesa como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Austrália e o Canadá. Alta qualificação em outras palavras poderia se dizer da atração de bons cérebros. Por um lado, os Estados Unidos, a Inglaterra e a Austrália barraram nas fronteiras ou deportaram um total de 1.300.000 de “indesejáveis” em 2006. A outra face da moeda é que esses mesmos países deram boas-vindas, por meio de programas especiais, para cerca de 155 mil imigrantes qualificados no mesmo ano. A maior parte dos expulsos, cerca de 1.200 mil de pessoas saiu dos Estados Unidos. O país, no entanto, concedeu visto de trabalho a 37 mil profissionais qualificados pelo sistema Priority Workers, que não exige oferta prévia de emprego. Também em 2006 a Inglaterra devolveu 97 mil pessoas e abriu as portas para cerca de 20 mil imigrantes altamente qualificados por meio de um programa especial que foi reformulado em 2008. Ou seja, trata-se de uma política seletiva. São aceitos nos países desenvolvidos quem tem uma boa massa cinzenta e são repatriados a seus países de origem quem não tem como ajudar no progresso dessas nações.

Big Brother Brasil 8: Efêmero parece ter vindo para ficar

24/03/08

Big Brother 8 finalmente terminaFinalmente o Big Brother Brasil em sua oitava edição de 2008 terminou. Um jovem, misto de entregador de alface em Campinas (SP) e integrante de um conjunto musical levou a bolada de 1 milhão de reais. Uma de suas primeiras frases ao sair do confinamento após quase 90 dias de reclusão, foi “Estou rico!” Pois bem, muita gente acredita que, com R$ 1 milhão no bolso, todos os problemas do mundo sumiriam e a vida seguiria às mil maravilhas. Em vésperas de sorteios da loteria e da Mega-Sena, ou em dia de decisão de reality show, você, ouvinte, já deve ter sonhado com o que fazer com esse dinheirão. Um apartamento de cobertura na cidade, uma mansão na praia, carros importados na garagem, jantares caros e viagens a lugares paradisíacos. Se fizer assim, esteja seguro de que no final de um mês, essa bolada teria sumido… A coisa mais importante a ser feita antes de sair gastando muito dinheiro é planejar a melhor alocação para ele. E isso vai depender muito de cada caso. A decisão de quanto consumir está relacionada com o nível atual de seu patrimônio. Se você já acumulou bastante durante sua vida, certamente não irá precisar gastar muito. Nesse caso, a melhor decisão é investir bem o dinheiro e aproveitar seus rendimentos. . É preciso ter controle! Dessa forma, a sugestão é consumir no máximo 30% do total, ou R$ 300 mil. Dá para comprar uma boa casa, trocar de carro e ainda ajudar alguns parentes e amigos. E não se esqueça de aplicar o resto, os outros R$ 700 mil. Em primeiro lugar, a questão-chave é a preservação de seu patrimônio. Desse modo, a dica é investir a maior parte em aplicações tradicionais, em que você não corre grandes riscos. Enfim, como dizia um amigo meu: “Tenho preocupação em ganhar R$ 1 milhão pois teria que me preocupar muito sobre o que fazer com ele…” Então, comece a pensar desde logo, nessa época de o universo conspirando a nosso favor, pode ser que isso venha a acontecer mais rápido do que você espera!

A respeito da carta de Clarice, escrita em Berna, 2/Janeiro/1947

29/02/08

Berna Janeiro 1947 Clarice Lispector 

(* os textos em negrito são trechos da carta de Clarice Lispector) 

“Berna, 2 de janeiro de 1947″ 

Em 2003 o diretor Sönke Wortmann lançou seu filme de Das Wunder von Bern ( O milagre de Berna). O roteiro abordava os dois eventos que marcaram a história da Alemanha no pós-2ª Guerra Mundial: a queda do Muro de Berlim e a histórica vitória da Seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, que ficou conhecido como o milagre de Berna, numa referência à cidade suíça onde ocorreu o jogo. As lembranças do jogo, que deu à Alemanha seu 1º título mundial, são mostradas através da família Lubenski, que vive na pequena cidade de Essen-Katernberg. Mas, entre 1945 e 1954, não teria acontecido um outro milagre? E, de longe, será que não eclipsaria os dois milagres anteriores? Refiro-me à carta que a escritora Clarice Lispector escreveu em 2 de janeiro de 1947.
Deve-se ter em mente que a II Guerra Mundial terminou em 7 de maio de 1945 quando a Alemanha se rendia incondicionalmente em Reims e deixando um saldo de 50 milhões de mortos, custando nada menos que cerca de US$ 1,5 trilhão.
Sobre o muro de Berlim, aquela estranha cicatriz plantada na alma da humanidade, somente seria destruído em 9 de novembro de 1989. Foi naquele dia que as autoridades comunistas da Alemanha Oriental informaram aos moradores que o acesso ao outro lado da cidade estava liberado. Por volta das 22h, uma multidão pacífica marchou em direção as passagens do muro de Berlim querendo ir para o outro lado. Os guardas da fronteira, sem saber o que fazer, levantaram as cancelas e deixaram o povo passar. Foi o começo do fim do Muro de Berlim, fato que representou dois importantes marcos: a reunificação alemã e o fim da guerra fria.
Pois bem, na desolada cidade suiça a escritora Clarice Lispector escreveria sua carta a uma amiga que chama apenas que “Querida”. A carta cruzou oceanos e deixou atrás de si um vigoroso libelo sobre a condição humana, encantando tantos quantos a leram. Foi um milagre no sentido de sua autora - já consagrada na literatura brasileira - ter conseguido o feito de trazer à superfície do ser os velhos questionamentos existencialistas. Densa de humanidade e vestindo as palavras com as mais dolorosas que desafiam a condição humana desde o início